Entenda como a BNCC aborda as Ciências Humanas no Fundamental

GEOGRAFIA

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que estabelece referenciais de aprendizagens essenciais a partir do qual o trabalho nas escolas será desenvolvido, levando-se sempre em conta as especificidades de cada local.

A BNCC organizou os componentes curriculares História e Geografia em uma área denominada Área de Ciências Humanas. Considerando as competências gerais da BNCC e as competências específicas da área de Ciências Humanas, a Base estabeleceu as seguintes competências para a Geografia no Ensino Fundamental.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE GEOGRAFIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

  1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/ natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas.
  2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história.
  3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.
  4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas.
  5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia.
  6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de origem, etnia, gênero, orientação sexual, idade, habilidade/necessidade, convicção religiosa ou de qualquer outro tipo.
  7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios éticos democráticos, sustentáveis e solidários. (BNCC, 2017, p. 364)

A BNCC propõe que a Geografia possibilite aos alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental “reconhecer e comparar as realidades de diversos lugares de vivência” (BNCC, 2017, p. 362), assim como “identificar a presença ou ausência de equipamentos públicos e serviços básicos essenciais” (BNCC, 2017, p. 362).

Desse modo, ao final do 5º ano, os alunos devem estar preparados para realizar essas ações, que integram os objetivos da educação formal em nossa sociedade e são base para a participação social e a cidadania.

Para os Anos Finais do Ensino Fundamental, a Base traz demandas ainda mais desafiadoras, pois espera-se que os alunos possam compreender e atuar em “processos que resultaram na desigualdade social”. Como componente do currículo escolar, a Geografia deve, portanto, oferecer aos alunos um conjunto de experiências de aprendizagem nas quais eles possam desenvolver habilidades necessárias para alcançar esses objetivos.

O raciocínio geográfico

A compreensão do mundo em que se vive mobiliza o pensamento espacial. O pensamento espacial, por sua vez, requer o desenvolvimento do raciocínio geográfico, que, por meio da aplicação de determinados princípios, leva à compreensão de aspectos fundamentais da realidade: “a localização e a distribuição de fatos e fenômenos na superfície terrestre, o ordenamento territorial, as conexões existentes entre componentes físico-naturais e as ações antrópicas” (BNCC, 2017, p. 357).

“Onde se localiza?” “Por que se localiza?” “Como se distribui?” “Quais são as características socioespaciais?” Essas questões guiam a abordagem de fenômenos nas aulas de Geografia. Partindo da observação de seus lugares de vivência, os alunos podem estabelecer relações entre o que ocorre nos lugares em que vivem e em outros lugares próximos e também distantes.

Em uma abordagem dos transportes utilizados no município em que vivem, por exemplo, os alunos podem observar uma concentração de moradias no entorno da estação de trem. Um grande conjunto de perguntas pode desencadear exercícios de raciocínio geográfico. Onde se localiza o município? Por que a estação de trem se localiza na parte baixa das terras do município? Como as construções e moradias se distribuem no município? As concentrações de moradias acompanham a linha de trem? Quais são as características da vida no município relacionadas à via férrea? São perguntas que nascem da observação dos elementos dos lugares de vivência.

Esses questionamentos mobilizam a busca por respostas que, por sua vez, levam à formulação de novas perguntas. Tal movimento proporciona aos alunos compreender a situação geográfica como “um conjunto de relações”. Com base em uma observação — de que haveria uma concentração de moradias no entorno da estação de trem —, os alunos verificam se essa concentração ocorre de fato e levantam explicações para o fenômeno. As perguntas devem levá-los a observar por que a estação de trem interessa aos moradores do município, o que acaba por destacar redes que integram e mobilizam os lugares do município.

As unidades temáticas

À medida que os alunos formulam perguntas sobre o que observam espacialmente, é preciso colocá-los em contato com os conteúdos, conceitos e processos da Geografia, denominados objetos de conhecimento. A BNCC sugere objetos do conhecimento para o Ensino Fundamental apontando sempre as “aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos alunos” (habilidades). Dessa forma, “o que ensinar?” está sempre articulado a “por que ensinar?”. Na BNCC, os objetos de conhecimento são arranjados em unidades temáticas. No componente Geografia, elas são comuns a todos os anos do Ensino Fundamental:

  • O sujeito e seu lugar no mundo
  • Conexões e escalas
  • Mundo do trabalho
  • Formas de representação e pensamento espacial
  • Natureza, ambientes e qualidade de vida

AS NOVIDADES DA BNCC

No Ensino Fundamental predomina a descrição nas aulas de Geografia; nos Anos Finais, a monografia regional comanda o raciocínio geográfico. Ainda explicamos o que ocorre em uma região por meio da descrição dos elementos desse espaço e suas dinâmicas internas. A principal novidade é formular objetivos de aprendizagem capazes de colocar em primeiro plano uma Geografia escolar analítica que avance para além da descrição.

Retomando nosso exemplo, ao observar a possível concentração de moradias no entorno da estação de trem do município, o que se faz comumente nas aulas de Geografia é descrever esses elementos — a estação, a via férrea, a localização das moradias etc. Um aprofundamento significa, muitas vezes, a classificação dos elementos: os tipos de transporte, as funções do espaço urbano etc. Assim, não se formam as redes de relações fundamentais que poderiam explicar o porquê da concentração espacial. Pode ser que a construção da estação de trem tenha impulsionado a formação da aglomeração urbana; ou, ainda, que tenha ocorrido um deslocamento das moradias para essa área, com a construção de novos loteamentos, porque uma parte significativa dos moradores utiliza o trem para ir ao local de trabalho, em outro município.

As perguntas formuladas pelos alunos devem ser ponto de partida para a construção de novas questões que busquem esclarecer o que foi questionado: o que explica algo em um lugar pode ser um fenômeno que ocorre em outro lugar muitíssimo distante; esses lugares, no entanto, estão imbricados uns nos outros em uma rede, que deve ser identificada e analisada pelos alunos. É assim que os alunos podem “compreender aspectos fundamentais da realidade”, como propõe a BNCC. 

HISTÓRIA

 SOBRE A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação determinou que diretrizes fossem criadas para orientar os currículos educacionais do país. Em 2014, o Plano Nacional da Educação reafirmou a necessidade de definir diretrizes pedagógicas para a educação básica e de criar uma Base Nacional Curricular que orientasse a elaboração dos currículos das escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Desde então, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) vem sendo desenvolvida com a participação de diversos setores da sociedade.

A BNCC será utilizada para a elaboração dos currículos, a formação de professores, a produção de materiais didáticos e avaliações. Pretende-se, dessa forma, por meio de uma política pública construída conjuntamente, promover a equidade, tendo em vista que define os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais aos quais devem ter acesso todos os estudantes do país.

A HISTÓRIA COMO COMPONENTE CURRICULAR

Com relação ao ensino de História, a BNCC destaca a importância de compreender a construção do conhecimento histórico. Para tanto, estabelece algumas etapas. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, espera-se que os estudos possibilitem aos alunos o conhecimento de si mesmos, para depois, o do outro, ampliando esse conhecimento em diferentes tempos e espaços específicos. Assim, os jovens seriam preparados para, na etapa seguinte, desenvolver as habilidades específicas de cada objeto de conhecimento da disciplina.

Nesse processo, “é fundamental considerar a utilização de diferentes fontes e tipos de documento (escritos, iconográficos, materiais, imateriais) capazes de facilitar a compreensão da relação tempo e espaço e das relações sociais que os geraram” (BNCC, 2017, p. 396). Para que o trabalho com as fontes seja profícuo, isto é, para que professores e alunos desempenhem o papel de agentes do processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos propostos no âmbito de um processo adequado ao Ensino Fundamental, a BNCC destaca cinco processos: identificar, comparar, contextualizar, interpretar e analisar. Apesar de serem processos cognitivos complexos, é importante que, desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, seja iniciado o trabalho de instrumentalização dos alunos no que tange a tais processos, de maneira adequada à faixa etária.

Identificar é o processo menos complexo, mas não é o menos importante. Ele diz respeito à capacidade dos alunos de descrever e caracterizar determinado processo, evento ou documento histórico, localizando-o no tempo e no espaço de acordo com as informações disponíveis. Perceber informações não explícitas em documentos históricos também faz parte do processo de identificação. “O que é?” é a pergunta norteadora desse processo cognitivo.

Comparar é um processo de suma importância e pode ser trabalhado, inicialmente, estabelecendo relações entre os eventos, processos ou documentos históricos com a realidade mais imediata do aluno (no presente ou no passado recente). Nesse sentido, perceber o que há de semelhante e diferente entre momentos históricos distintos, salientando rupturas e continuidades, é essencial para o ensino-aprendizagem de História. Vale ressaltar que, no processo de comparação, não se busca construir juízos de valor, mas sim compreender as diferenças.

Quando falamos em contextualizar, entende-se que os alunos reúnam saberes e ações que lhes possibilitem, de maneira cada vez mais autônoma, localizar no tempo, no espaço e dentro de cada cultura fatos, processos, acontecimentos e produções de diversos tipos de documentos históricos. Ou seja, compreender de forma ampla como acontecimentos e/ou processos, e, consequentemente, seus registros estão relacionados a um tempo, a um local e aos respectivos referenciais culturais. Nesse sentido, a contextualização é uma habilidade importante para a construção do conhecimento histórico.

Quem? Como? Quando? Onde? Em que circunstâncias? são exemplos de perguntas que os alunos devem fazer quando estudam História. De posse dos dados oriundos da contextualização, espera-se que os alunos possam, aos poucos, interpretar, ou seja, entender de que maneira eventos podem ter impactado determinada sociedade. Identificar as diferentes visões possíveis sobre o ocorrido faz parte da ampla habilidade ligada à interpretação.

Por fim, analisar é uma habilidade bastante complexa, que depende do desenvolvimento dos processos anteriormente citados, reunindo, assim, diversos conhecimentos e um posicionamento crítico do estudante. Desse modo, ao longo do Ensino Básico, tem-se como objetivo o desenvolvimento, por parte dos alunos, das habilidades relacionadas aos processos descritos para que eles possam fazer do estudo do passado vinculado ao presente uma maneira de leitura da realidade que os torne cidadãos críticos e autônomos.

A BNCC chama a atenção para a necessidade de levar em conta a experiência dos alunos do ponto de vista social, econômico, cultural e temporal. Espera-se que eles utilizem seus conhecimentos prévios como base para o processo de aprendizagem. Além disso, um dos focos do ensino de História é a formação da identidade dos estudantes, considerando o tempo, a realidade e o espaço em que vivem. O documento ressalta também a importância do “outro”, valorizando a diversidade cultural e o multiculturalismo.

Todas essas habilidades e competências têm como objetivo comum e principal a aprendizagem de uma “atitude historiadora”, ou seja, os estudantes, de posse de diretrizes oriundas das bases epistemológicas da ciência histórica, instrumentalizados para identificar, comparar, contextualizar, interpretar e analisar, possam, aos poucos, fazer pequenas incursões ligadas à pesquisa histórica de forma autônoma e crítica, identificando continuidades e rupturas.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA

  1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.
  2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.
  3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.
  4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
  5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.
  6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica.
  7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.

NOVIDADES DA BNCC

Com relação a essas diretrizes gerais para o ensino de História no Ensino Fundamental, a BNCC não contradiz documentos anteriores, como, por exemplo, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), segundo os quais primeiro os alunos devem compreender a historicidade relacionada ao seu meio: família, escola, bairro etc., para, posteriormente, estudar seu município, seu estado e o país. A BNCC amplia esse estudo, propondo a análise de configurações sociais ligadas a outros países e povos. A proposta de analisar diversas linguagens e sua historicidade também foi ampliada pela BNCC com destaque para a importância da memória e suas possíveis análises.

 Clique no link abaixo e baixe do site oficial da BNCC a última versão homologada.

http://download.basenacionalcomum.mec.gov.br/

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